“A única forma de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua” (Gustave Flaubert)
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domingo, 24 de abril de 2011
E tropeçou...
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E Flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.
(Chico Buarque)
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
O Velho
O velho sem conselhos, de joelhos, de partida
Carrega com certeza todo o peso desta vida
Então eu lhe pergunto pelo amor:
A vida inteira, diz que se guardou, do carnaval,
Carrega com certeza todo o peso desta vida
Então eu lhe pergunto pelo amor:
A vida inteira, diz que se guardou, do carnaval,
Da brincadeira que ele não brincou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada só a caminhada longa, pra nenhum lugar.
O velho de partida deixa a vida sem saudades
Sem dívidas, sem saldo, sem rival ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor:
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu, nem nunca se entregou
E diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada e eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar.
O velho vai-se agora, vai-se embora sem bagagem
Não se sabe pra que veio, foi passeio, foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor, ele me é franco
Mostra um verso manco, de um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Não, foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar,
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada só a caminhada longa, pra nenhum lugar.
O velho de partida deixa a vida sem saudades
Sem dívidas, sem saldo, sem rival ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor:
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu, nem nunca se entregou
E diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Nada e eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar.
O velho vai-se agora, vai-se embora sem bagagem
Não se sabe pra que veio, foi passeio, foi passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor, ele me é franco
Mostra um verso manco, de um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora o que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo pra deixar?
Não, foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar,
Não, não vou lastimar.
(Chico Buarque)
[Imagem: Been Goossens]
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