"A literatura tem essa magia de nos tornar contemporâneos de quem quisermos." (Inês Pedrosa)
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

No caminho, com Maiakovski



















"Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes, conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite, eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já são se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, qu enão temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarda
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por termo aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Passividade
















"... Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.


Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada." 

(Eduardo Alvez da Costa)


[Imagem: Willian Ferreira]

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Viva com Alegria

Vive com alegria, assume teu destino como um guerreiro soberano. Que a Beleza seja seu guia e a Esperança a tua Luz, que acendi quando ainda eras criança. Não ouças o que diz a gente que amaldiçoa a vida. Sua alma é mesquinha e dela só nos chegam medos. Abandona esses frutos azedos e busca a essência do teu Ser. A vida não passa de ilusão, sim, mas foi essa a missão que te deu o Universo. Quanto à morte, não te preocupes em buscá-la, pois anda sempre contigo, desde que te viu nascer. Ela te arrebatará um dia, mas o que fizeres pela vida há de permanecer.

(EDUARDO ALVES DA COSTA)
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