"A literatura tem essa magia de nos tornar contemporâneos de quem quisermos." (Inês Pedrosa)
Mostrando postagens com marcador Jean Baudrillard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jean Baudrillard. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de novembro de 2013

A estupidez do direito

kandinskyy
Em geral, o direito é tão estúpido quanto os imperativos que estabelece. Mas o pior é quando legaliza situações que são legais por si só:

o direito à água, direito ao ar, direito ao desejo, direito à paternidade.

O que quer dizer, aliás, do "direito à vida"? Se é que ele expressa o que quer dizer, significa que a vida perdeu realmente sua evidência.

O direito acaba agindo como invocação desesperada das qualidades perdidas. É assim que se verá, provavelmente logo, surgir face à extensão da estupidez, um " direito à inteligência".


Jean Baudrillard

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Alienação Consumista


Jacques Resch

Não compramos objetos para possuí-los e sim para destruí-los. A cada nova compra já estamos pensando na próxima. A efemeridade da moda acaba funcionando como antídoto para curar a ansiedade e saciar em pequenas porções a sede de emoções. A cada semana, uma nova coleção na vitrine, a cada dia um novo capítulo na novela das oito, a cada seis meses a nova versão do carro do ano, um novo restaurante imperdível é inaugurado. Somos todos, então, fantoches no “teatro” do consumo. O que quer dizer que os sujeitos não têm mais a preocupação, ao consumir, em buscarem objetos duráveis e que permitam a eles identificarem-se em um conjunto homogêneo de outros sujeitos, como o era na época da estética da estabilidade pregada pelo fordismo, mas, diferentemente disso, o que desperta a atenção dos consumidores são objetos fugazes e que permitam que os mesmos se distingam em um determinado meio social.

Jean Baudrillard,
Sociedade de Consumo

sábado, 28 de abril de 2012

Sociedade de Consumo

Da mesma maneira que a sociedade da Idade Média se equilibrava em Deus e no Diabo, assim a nossa se equilibra no consumo e na sua denúncia. Em torno do Diabo, era ainda possível organizar heresias e seitas de magia negra. Mas, a magia que temos é branca, e não é possível qualquer heresia na abundancia. É a alvura profiláctica de uma sociedade saturada, de uma sociedade sem vertigem e sem história, sem outro mito além de si mesma.

- Jean Baudrillard
"Sociedade de Consumo"

domingo, 18 de março de 2012

Sociedade de Consumo

"Da mesma maneira que a sociedade da Idade Média se equilibrava em Deus e no Diabo, assim a nossa se equilibra no consumo e na sua denúncia. Em torno do Diabo, era ainda possível organizar heresias e seitas de magia negra. Mas, a magia que temos é branca, e não é possível qualquer heresia na abundancia. É a alvura profiláctica de uma sociedade saturada, de uma sociedade sem vertigem e sem história, sem outro mito além de si mesma."

(Jean Baudrillard in "Sociedade de Consumo")

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Destino indefinido

Paul Cezanne


















Só chega ao fim aquilo que tem destino certo, já que uma vez

chegando-se a ele resta apenas desaparecer. A espécie

humana só sobreviveu porque não tinha destino final.

Aqueles que quiseram lhe dar um destino geralmente

precipitaram-se para a destruição. E talvez seja por reflexo

de sobrevivência que grupos e indivíduos abandonam

pouco a pouco todo destino preciso, abandonam o sentido,

a razão e as Luzes a fim de conservar apenas a intuição

selvagem de uma situação imprecisa.



(Jean Baudrillard)



sábado, 27 de novembro de 2010

Otimismo Radical

Van Gogh "Os comedores de batata"

Hoje julgamos todas as coisas a partir de um encadeamento real e racional. Mas com a mesma força e razão poderíamos referi-las a um encadeamento irracional - basta inverter a perspectiva de uma transcendência providencial para uma transcendência maléfica. Ficaríamos menos desesperados se pensássemos que cada desgraça estaria justificada com relação a uma ordem do mal. Tal é a regra do otimismo radical. É preciso fazer do mal a regra do jogo. É então que a exceção passa a ser a da felicidade. É a alegria que se torna fatal. Confere ao bem e à felicidade um prestígio novo: o de uma miraculosa exceção.

(Jean Baudrillard)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Estupidez...

Ben Gossens
















Deve-se tomar cuidado com a estupidez.

Sua denúncia é imediatamente reversível.

Impossível designá-la sem que ela o designe

também. Impossível apontar a estupidez sem

devolver à inteligência a sua arrogância. Perto

da inteligência, a estupidez se faz mais

estúpida. Nos confins da estupidez a inteligência

se faz mais sutil.



(Jean Baudrillard)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Obstáculo intransponível

O que entende a mosca da vidraça contra a qual ela se lança até não mais poder? Nada na natureza oferece obstáculo semelhante a seu instinto natural: um obstáculo transparente. Nós também não sabemos do vazio transparente que nos separa dos outros mais do que a mosca do intransponível obstáculo daquela superfície de vidro...


(JEAN BAUDRILLARD)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dizem - ...

Dizem - depois do mais belo livro, depois da mais bela mulher, depois do mais belo deserto que já se viu : " Aqui começa o resto da vida". De fato, outra coisa acontece - outro livro, outra mulher, outro deserto - e o resto da vida é a vida outra vez.

Era apenas a ilusão do fim.

Se tudo pode parecer indiferente quando se encontrou o mais belo, por que não reconhecer a mesma fatalidade na situação inversa: ter lido o pior livro, ter visto a paisagem mais desinteressante, ter encontrado a mulher mais feia e estúpida?

Deveria haver aí uma perfeição e, portanto, um limite absoluto do insignificante, do nulo, do trivial e do banal, para além do qual, também neste caso, nada haveria a esperar. De fato, não é assim.


(JEAN BAUDRILLARD)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...