"A literatura tem essa magia de nos tornar contemporâneos de quem quisermos." (Inês Pedrosa)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Perfeição

Composição: Renato Russo

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...


Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...


Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...


Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...


Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...


Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...


Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...


Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...


Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...


Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!


O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Última Crônica

"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
(Fernando Sabino - Para Gostar de Ler - 1980)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Mundo “Faz de Conta”

Ignorar é não saber alguma coisa. A ignorância pode ser tão profunda que sequer a percebemos ou a sentimos, isto é, não sabemos que não sabemos, não sabemos que ignoramos. Em geral, o estado de ignorância se mantém em nós enquanto as crenças e opiniões que possuímos para viver e agir no mundo se conservam como eficazes e úteis, de modo que não temos nenhum motivo para duvidar delas, nenhum motivo para desconfiar delas e, conseqüentemente, achamos que sabemos tudo o que há para saber.

Vivemos numa sociedade que acredita nas ciências, que luta por escolas, que recebe durante 24 horas diárias informações vindas de jornais, rádios e televisões, que possui editoras, livrarias, bibliotecas, museus, salas de cinema e de teatro, vídeos, fotografias e computadores. Mas conhecemos a verdade?

Essa enorme quantidade de veículos e formas de informação não pode tornar difícil a busca da verdade? Afinal todo mundo acredita que está recebendo, de modos variados e diferentes, informações científicas, filosóficas, políticas, artísticas e que tais informações são verdadeiras. Sobretudo porque tal quantidade informativa ultrapassa a experiência vivida pelas pessoas, que, por isso, não têm meios para avaliar o que recebem. Mas onde está a verdade?

A propaganda trata todas as pessoas – crianças, jovens, adultos, idosos – como crianças extremamente ingênuas e crédulas. O mundo é sempre um mundo “de faz-de-conta”: nele a margarina fresca faz a família bonita, alegre, unida e feliz; o automóvel faz o homem confiante, inteligente, belo, sedutor, bem-sucedido nos negócios, cheio de namoradas lindas; o desodorante faz a moça bonita, atraente, bem empregada, bem vestida, com um belo apartamento e lindos namorados; o cigarro leva as pessoas para belíssimas paisagens exóticas, cheias de aventura e de negócios coroados de sucesso que terminam com lindos jantares à luz de velas.

A propaganda nunca vende um produto dizendo o que ele é e para que serve. Ela vende o produto rodeando-o de magias, belezas, dando-lhe qualidades que são de outras coisas (a criança saudável, o jovem bonito, o adulto inteligente, o idoso feliz, a casa agradável, etc.), produzindo um eterno “faz-de-conta”.

Mas o mundo é realmente como o percebemos?

Este encontro ficou marcado pelas perguntas, você deve perguntar “E as respostas?” Todas essas respostas estão dentro de cada um. Todos estão dispostos a convencer os outros de suas respostas, mas poucos estão dispostos a deixar você buscar suas próprias respostas. Busque você mesmo. Como buscar essas respostas? Não conheço outra maneira a não ser na filosofia, mas não espere aprender filosofia, pois isso não se aprende já dizia Kant, se aprende apenas a filosofar.

Síntese de "A Verdade" - Convite a Filosofia.
Quem foi >> Alan

terça-feira, 18 de agosto de 2009

“Mais do que um inseto”

Dizem que sempre tem algo acontecendo, algo importante, nada está parado. Que o banal nem sempre é banal, quase nunca é. Que há muito a se contemplar nas coisas simples. Há muita beleza a se descobrir neste pequeno intervalo de tempo chamado vida, pois a beleza da vida está nos olhos de quem vê.


"Custei um pouco a compreender o que estava vendo, de tão inesperado e sutil que era: estava vendo um inseto pousado, verde-claro, de pernas altas. Era uma ‘esperança’, o que sempre me disseram que é de bom augúrio. Depois a esperança começou a andar bem de leve sobre o colchão. Era verde transparente, com pernas que mantinham seu corpo plano alto e por assim dizer solto, um plano tão frágil quanto as próprias pernas que eram feitas apenas da cor da casca. Dentro do fiapo das pernas não havia nada dentro: o lado de dentro de uma superfície tão rasa já é a própria superfície. Parecia um raso desenho que tivesse saído do papel, verde e andasse… E andava com uma determinação de quem copiasse um traço que era invisível para mim… Mas onde estariam nele as glândulas de seu destino e as adrenalinas de seu seco verde interior? Pois era um ser oco, um enxerto de gravetos, simples atração eletiva de linhas verdes."

Clarice Lispector - A descoberta do mundo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mudança



















"Mudam se os tempos,
Mudam se as vontades;

Muda se o ser,
Muda se a confiança;

Todo mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos diferentes novidades em tudo da esperança,
Do mal ficam as mágoas na lembrança e do bem (se algum ouve) a saudade."

Camões

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Diálogo Extraterrestre















Trabalho de Equipe

— Como foi aquela história mesmo?
— Eram 4 terráqueos: Todomundo; Alguém; Qualquerum e Ninguém.
— Isto mesmo! Continua...
— Havia um importante trabalho a ser feito.
— Certo!
— Todomundo pensou que Alguém o faria.
— Qualquerum podia fazer?
— Sim, Qualquerum podia, mas Ninguém fez.
— Ninguém!
— Todomundo sabia que Qualquerum podia fazer, mas Ninguém imaginou que Todomundo deixaria de fazer esperando Qualquerum.
— E dai? Como é que ficou?
— Todomundo culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquerum podia ter feito.

Marcelo Ferrari

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dogmatismo

Supondo-se que a verdade seja uma mulher — não é bem fundada a suspeita de que todos os filósofos, enquanto dogmáticos, entendem pouco de mulheres?

Que a espantosa seriedade, a indiscrição delicada com que até agora estavam acostumados a afrontar a verdade não eram meios pouco adequados para cativar uma mulher?

O que há de certo é que essa Dama não se deixou cativar — e os dogmáticos de toda a espécie voltaram-se tristemente frente a nós e desencorajaram-se. Se de resto pode-se dizer que ainda estejam em pé! Aqui estão os troçadores que pretendem ter a dogmática caído irremissivelmente e até que esteja agonizante.

Falando sério há um bom motivo para esperar que em filosofia o dogmatizar, ainda que tenha esbanjado frases solenes e aparentemente incontestáveis, tenha sido uma nobre peraltice de diletantes e que está próximo o tempo em que se compreenderá cada vez mais quão mesquinhas são as bases dos edifícios sublimes e aparentemente inabaláveis, erigidos pelos filósofos dogmáticos — alguma superstição sobrevivente de épocas pré-históricas (como superstição da alma que ainda hoje continua a ser fonte de queixumes com a superstição do "sujeito" e do "eu"), sem falar em alguns jogos de palavras, alguns erros gramaticais, ou ainda alguma audaz generalização de muito poucos fatos, muito pessoais e demasiado humanos, antes de mais nada humanos.

A filosofia dos dogmáticos foi, esperamos, simplesmente uma promessa para alguns milhares de anos no futuro, como em tempos ainda remotos o foi a astrologia, a serviço da qual foram dispendidos mais dinheiro, trabalho, perspicácia e paciência de que até agora já se dispendeu com uma ciência positiva qualquer — à astrologia e às suas aspirações sobrenaturais devemos o estilo grandioso da arquitetura da Ásia e do Egito. Parece que toda coisa grande para poder se imprimir com caracteres indeléveis no coração humano deve primeiramente passar sobre a terra sob o aspecto de uma caricatura monstruosa e assustadora; tal caricatura monstruosa foi a filosofia dogmática; por exemplo a doutrina dos Vedas na Ásia e o platonismo na Europa.


Somos ingratos para com eles, ainda que seja necessário confessar que o pior, o mais pertinaz e o mais perigoso de todos os erros foi o de um filósofo dogmático e precisamente a invenção platônica do “puro espírito” e do bom por si mesmo. Mas hoje que o superamos, que a Europa (Mundo) respira aliviada de., tal incubo e que pelo menos pode dormir um sono mais salutar, somos, nós cuja única junção é permanecermos acordados, somos os herdeiros de toda força, acumulada pela longa luta contra o erro. Seria preciso colocar a verdade de pernas para o ar, renegar a perspectiva, a condição fundamental da vida, para falar do espírito do bem como o faz Platão; antes, como médico, poder-se-ia perguntar "por que uma tal moléstia no produto mais belo da Antigüidade, em Platão?


Seria então verdadeiro que o malvado Sócrates o teria corrompido? Seria Sócrates efetivamente o corruptor da juventude? Mereceu, na verdade, a sua cicuta?" Porém a luta contra Platão, ou para dizê-lo de modo mais inteligível e popular, a luta contra a milenar opressão clerical cristã — uma vez que o Cristianismo é um Platonismo para a povo — produziu, na Europa, uma maravilhosa tensão dos espíritos até então nunca vista na terra; com o arco vergado de tal forma pode-se visar o alvo mais longínquo. É verdade que para o europeu esta tensão é causa de mal-estar; e duas grandes tentativas de relaxar o arco já foram feitas, a primeira vez com o jesuitismo e a segunda com a propaganda das idéias democráticas.


Com o auxílio da liberdade de imprensa e com a leitura dos jornais chegamos a tal ponto que o espírito não sentirá mais incubo de si mesmo. (Os alemães inventaram a pólvora, que isto lhes sirva de orgulho; mas inventaram a imprensa e com isso cometeram erros!) Mas nós, nós que não somos jesuítas, democratas e nem mesmo suficientemente alemães, nós, nós bons europeus (humanos) e espíritos livres — sentimos agora toda a opressão do espírito, possuímos toda a tensão do arco! E, é claro, também a seta, a tarefa, e quem sabe? o alvo...



F. Nietzsche - Além do Bem e do Mal

Sils-Maria, Engadina Sup., junho de 1885.


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Educação é a “Solução”

O setor educacional brasileiro está precário, baixos investimentos tem sido feito em relação ao PIB. Baixa remuneração dos professores, falta de preparo dos mesmos, desmotivação, falta de estrutura nas instituições publicas, fruto do descaso com que as autoridades competentes – as chamo de incompetentes - lhe dão com a educação e sua importância.

Como alcançar a justiça, democracia, cidadania, liberdade, honestidade, consciência e a igualdade social sem a educação de qualidade?

É possível um individuo obter todas essas qualidades sem educação?

Não, impossível. Sem o acesso a educação de qualidade – eis o problema – se torna quase impossível um indivíduo obter tais qualidades, e menos ainda ascender socialmente. É impossível um país crescer afundado no poço da ignorância. É impossível acabar com a ignorância ignorando os ignorantes.

Como se chegar à justiça em um mundo de cegos? Como se chegar à democracia sem ter a consciência de sua importância? Como se chegar à cidadania sem igualdade? Como conquistar a igualdade sem democracia? Como conquistar a liberdade sem conhecimento? E por fim, como chegar a tudo isso sem educação de qualidade?

Enquanto a educação não for prioridade o Brasil vai continuar sendo um país do futuro.

Chega de ser o país do futuro, é preciso ser o país do presente, do agora. A educação é a solução!

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Mito da Democracia



Democracia segundo Wikipedia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos – o povo. Segundo dicionário Priberam “Governo em que o povo exerce a soberania, direta ou indiretamente.”


Se observamos bem nossa atual sociedade vamos perceber – a menos que sejamos cegos – que a verdadeira democracia não existe. O governo responde primeiramente aos interesses econômicos, ou seja, aos interesses capitalistas.


Como disse outro dia José Saramago "A democracia na realidade não existe. Na minha opinião, quem verdadeiramente manda são instituições que não têm nada de democráticas, como o Fundo Monetário Internacional, as fábricas de armas, as multinacionais farmacêuticas", entre outras, afirmou o Prêmio Nobel da Literatura 1998.


Em nossa democracia no Brasil elegemos candidatos através do voto – voto obrigatório que contradiz a democracia – símbolo máximo da democracia para nos representar e tomar decisões de acordo o “bem comum”. Até certa parte tudo funciona bem, mas na parte das decisões que deveriam sempre visar o bem coletivo, das comunidades em geral deixa muito a desejar.


Muitas medidas inaceitáveis são tomadas a favor do poder econômico, que beneficia somente os grandes capitalistas (bancos, multinacionais etc.) com a desculpa de beneficiar o “bem comum”. Enquanto o povo fica submisso ao governo e os grandes capitalistas.


O conceito de democracia que o estado tem em mente – se é que o Estado tem mente- deve ser revisto o quanto antes. Mas se aceitarmos todos calados, a mudança não virá. É preciso ter esperança, mas esta só não faz nada se não for acompanhada da ação coletiva.



Ver também "O Mito do 'Bem Comum'" e "O 'Bem Comum'"




segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ensaio sobre a Cegueira

Numa sociedade que já não faz mais sentido algum viver, onde a lei da selva, a caça predatória predomina – nem sei por que ainda a chamam de sociedade – o homem já não é capaz de viver como homem. Uma bela frase de impacto deixa uma cicatriz na consciência humana “Se não podem viver mais como homens, pelo menos que não vivam completamente como animais”.

O “Ego”, o individualismo dita a lei dessa selva de pedras. Os instintos básicos são acionados com prioridade total, instinto natural que preserva a vida. Neste momento o centro do mundo passa a ser o “ego”, as pessoas se transformam em ilhas. No famoso ditado popular "cada um por si e Deus por todos".


Se inicia uma guerra, autoritarismo, disputas de território, disputa por comida, assassinatos, violência, violação dos direitos humanos, e tudo quanto pode haver de mais baixo que um ser humano possa fazer. Vence quem sobrevive, mas quem será capaz de sobreviver sozinho numa terra de cegos?


Uma epidemia de cegueira contagia toda uma cidade, logo todo o país. Só há um ser que ainda pode ver neste inferno que a sociedade se tornou. Sua visão é extraordinária, ultrapassa a matéria, a pele humana. Muito mais do que o antigo ditado popular “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, "em terra de cego quem tem um olho tem a responsabilidade de saber bem usa-lo."


Ensaio sobre a cegueira, uma fascinante obra literária de José Saramago – ganhador do Prêmio Nobel 1995. Depois de ler este livro será impossível pensar como antes. Há também o filme desta obra, mas não chega aos pés do livro, como toda obra literária que se transforma em filme.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Inverter a História


Alto lá! Os jovens e os pensadores dos anos 50 precisavam achar a ponta desse emaranhado, para ajudar a mudar o curso dessa história. Ao verem a triste situação do mundo e de si mesmos, eles se perguntavam: tanta busca, tanto sonho, tanto amor, tanto trabalho, para NADA?



Onde está o bem? Qual é a linha que o separa do mal? Haverá uma saída para evitar que esta aventura de viver não termine na morte com nossas próprias unhas?



Onde está a verdade: na ciência? No ser humano?




Uma certeza: a ciência não responde a tudo. Ela não é tão autônoma corno aparentava, mas está amarrada a um projeto de sociedade. Há de se buscar na Filosofia um conjunto coerente de resposta,, para o dilema de viver.




A Filosofia apareceu como uma nova paixão capaz de indicar novos caminhos. A, sabedoria dos jovens pensadores angustiados percebia que a vida é incerta, é ambígua. Nada é como nos ensinavam os velhos filmes de caubói, em que o chapéu do herói metido em brigas jamais cai, seu revólver jamais descarrega e ele sempre acaba dando um beijo (cinematográfico...) em sua noiva.




Hollywood punha divisórias na tela: de um lado ficava o índio, sempre traidor e ignorante; do outro, o branco, doce conquistador (de mulheres e terras alheias), acompanhado de crianças lourinhas e música romântica. O bem e a mentira eram claramente separados. O progresso sempre estava ao lado da ciência. enquanto outras dimensões humanas eram classificadas de bruxaria, e por isso olhadas com surpresa.




Não é isso que acontece na vida real.

Dentro de cada indivíduo e na trama da sociedade, a realidade é ambígua: o bem e o mal andam de mãos dadas, misturam-se. Ora odiamos, ora amamos. O mesmo bandido que rouba latifundiários tem bons sentimentos com as crianças, e o justiceiro louro, montado em seu cavalo idem, pode ser mesquinho com seus pais e ter medo de quarto escuro.



Quem está com a verdade? Quem está com a mentira?(O que você acha?)

(Jean-Paul Sartre - Proibido Proibir)



quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Mundo da Filosofia

Quem não sabe prestar contas

de três milênios permanece

nas trevas ignorante, e vive o

dia que se passa.


Johann W. Goethe



Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:


— Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço!


Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.


— Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.


E continuam a conversar:


Será que você poderia me passar a manteiga? Qual acotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?



(Jostein Gaarder - O Mundo de Sofia)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O Medo da Liberdade



Liberdade o que é a liberdade?


"Liberdade, essa palavra que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda."


O grande problema da liberdade não é mais como chegar até ela, não é mais saber usa-la, o grande problema é o medo da liberdade.


Um excelente vídeo, que apesar de grande vale a pena ver até o final, são 10 minutos que não serão perdidos!


terça-feira, 9 de junho de 2009

A Alma do Negócio



Um perfeito casal-propaganda leva uma vida feliz e tranqüila até descobrir que seus maravilhosos produtos podem fazer muito mais do que prometem. A Alma do Negócio é uma critica ao consumismo.


Consumismo é o ato de consumir produtos ou serviços, muitas vezes, sem consciência. Há várias discussões a respeito do tema, entre elas o tipo de influência que as empresas, por meio da propaganda e da publicidade, bem como a cultura industrial, por meio da TV e do cinema, exercem nas pessoas. Muitos alegam que elas induzem ao consumo desnecessário, sendo este um fruto do capitalismo e um fenômeno da sociedade contemporânea. (Wikipedia)

Você não precisa de um celular novo, mais ainda assim o deseja; sua televisão funciona perfeitamente, mas ainda sim quer uma nova lcd de plasma; seu carro está ótimo mais ainda sim o deseja trocar; você não precisa de um sofá novo, mais ainda sim não resiste a aquela promoção; mulher você está linda, mais ainda sim desejas ser igual à modelo esquelética da revista; meu amigo não tem nada de errado contigo, mas ainda sim quer ser igual o ator musculoso do filme; minha criança você já tem mil brinquedos e um milhão de amigos, mas ainda assim achas que só será feliz com o novo vídeo game ou a Barbie que acabaram de lançar! (Ver Ditadura Social)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Povo!

Não posso deixar de concordar com tudo que dizem do povo. É uma posição impopular, eu sei, mas o que fazer? É a hora da verdade. O povo que me perdoe, mas ele merece tudo o que se tem dito dele. E muito mais.

As opiniões recentemente emitidas sobre ao povo até agora foram tolerantes. Disseram, por exemplo, que o povo se comporta mal em grenais. Disseram que o povo é corrupto. Por um natural escrúpulo, não quiseram ir mais longe. Pois eu não tenho escrúpulo.

O povo se comporta mal em toda parte, não apenas no futebol. O povo tem péssimas maneiras. O povose veste mal. Não raro, cheira mal também. O povo faz xixi e cocô em escala industrial. Se não houvesse povo, não teríamos o problema ecológico. O povo não sabe comer. O povo tem um gosto deplorável. O povo é insensível. O povo é vulgar.

A chamada explosão demográfica é culpa exclusivamente do povo. O povo se reproduz numa proporção verdadeiramente suicida. O povo é promíscuo e sem-vergonha. A superpopulação nos grandes centros se deve o povo. As lamentáveis favelas que tanto prejudicam nossa paisagem urbana foram inventadas pelo povo, que as mantém contra os preceitos da higiene e da estética.

Responda, sem meias palavras: haveria os problemas de trânsito se não fosse pelo povo? O povo é um estorvo.

É notória a incapacidade política do povo. O povo não sabe votar. Quando vota, invariavelmente vota em candidatos populares que, justamente por agradarem ao povo, não podem ser boa coisa.
O povo é pouco saudável. Há, sabidamente, 95 por cento mais cáries dentáries entre o povo. O índice de morte por má nutrição entre o povo é assustador. O povo não se cuida. Estão sempre sendo atropelados. Isto quando não se matam entre si. O banditismo campeia entre o povo. O povo é ladrão. O povo é viciado. O povo é doido. O povo é imprevisível. O povo é um perigo.

O povo não tem a mínima cultura. Muitos nem sabem ler ou escrever. O povo não viaja, não se interessa por boa música ou literatura, não vai a museus. O povo não gosta de trabalho criativo, prefere empregos ignóbeis e aviltantes. Isto quando trabalha, pois há os que preferem o ócio contemplativo, embaixo de pontes. Se não fosse o povo nossa economia funcionaria como uma máquina. Todo mundo seria mais feliz sem o povo. O povo é deprimente. O povo deveria ser eliminado.

(O Povo - Luís Fernando Veríssimo)
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