"A literatura tem essa magia de nos tornar contemporâneos de quem quisermos." (Inês Pedrosa)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ética e Liberdade

Entendo a moral como uma construção histórica e não-natural que jamais deve ser imposta seja a quem for, só tem valor a medida que é uma escolha individual e intransferível, com a mesma certeza de que cada um de nós viverá a própria morte. A ética, por sua vez, é o que torna possível o exercício da liberdade, da responsabilidade e da política. Todo moralismo se constitui numa violentação da liberdade. 

- Alan Teixeira

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Delicado Abismo

Se me perguntassem sobre Ofélia e seus pais, teria respondido com o decoro da honestidade: mal os conheci. Diante do mesmo juri ao qual responderia: mal me conheço - e para cada cara de jurado diria com o mesmo límpido olhar de quem se hipnotizou para a obediência: mal vos conheço. Mas às vezes acordo do longo sono e volto-me com docilidade para o delicado abismo da desordem.

- Clarice Lispector, 
Felicidade Clandestina

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Irresponsabilidade Política

A busca irresponsável de interesses privados na esfera público-política é tão prejudicial ao bem público quanto a arrogante tentativa dos governos de regular a vida privada de seus cidadãos é prejudicial para a felicidade privada.

- Hannah Arendt,
Public rigths and private interests

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Profetas do Comércio

Vemos agora surgir, de várias maneiras, a cultura de uma sociedade em que o comércio é a alma, assim como a peleja individual para os antigos gregos, e a guerra, a vitória e o direito para os romanos. O mercador sabe estimar o valor de tudo sem produzi-lo, e estimar o valor  segundo a necessidade dos consumidores, não segunda suas próprias necessidades; 'quem e quantos consomem isto?' é sua grande pergunta. Esse gênero de estimativa ele emprega instintiva e incessantemente para tudo, também para as realizações da arte e da ciência, dos pensadores, doutores, artistas, estadistas, de povos e partidos, de épocas inteiras: em relação a tudo o que é produzido ele pergunta pela oferta e a demanda, a fim de estabelecer para si o valor de uma coisa. Isto alçado em caráter de toda uma cultura, pensando com o máximo de amplidão e sutileza, e impondo-se toda vontade e capacidade: é disso que vocês, homens do próximo século [XX], estarão orgulhosos: se os profetas da classe mercadora em colocá-los na sua posse! Mas eu não tenho fé nestes profetas.

- Friedrich Nietzsche,
Aurora

domingo, 12 de agosto de 2012

O que estamos fazendo?

A crise que ocorre hoje no mundo é política. Todas as outras derivam daí. O fenômeno de despolitização do mundo cria indivíduos apolíticos - o que não é o mesmo que anti-políticos - desinteressados pelo curso da história e sem senso histórico. Vivem o dia que se passa à merce das decisões que governam o mundo. Trabalhando e descansando, produzindo e consumindo, com a mesma regularidade feliz e sem propósito da noite que sucede ao dia. A ação política sempre foi a mão e o machado da produção histórica. Diz Hannah Arendt* que a liberdade é a razão de ser da política, e seu domínio de experiência é a ação, isto quer dizer, entre outras coisas, que o homem é por excelência um animal político e ativo, é no seio da cidade que surge também a preocupação ética com a ação. "O que proponho, portanto, é muito simples: trata-se de pensar o que estamos fazendo"**.

- Alan Teixeira



* Hannah Arendt, 
Entre o Passado e o Futuro.
** Hannah Arendt, 
A Condição Humana

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Nosso Tempo



Criança Morta, Portinari














I
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

II
Esse é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.

Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.

Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.

A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
e pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.

III
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?

Ó conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiados urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai;
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da
costureira, luto no braço, pombas, cães errantes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.

IV
É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.

É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.

No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.

V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.

Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.

Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem,
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrados sem dor,
confiar-se ao que bem me importa
do sono.

Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.

VI
Nos porões da família
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.

VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco ? no público ? nas poltronas ?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.
E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.

VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
prometa ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta
um verme.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 31 de julho de 2012

As Fontes


Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um vôo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.

- Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Vazio da Loucura

Jacques Resch
‎A substituição do tema da morte pelo da loucura não marca uma ruptura, mas sim uma virada no interior da mesma inquietude. Trata-se ainda do vazio da existência, mas esse vazio não é mais reconhecido como termo exterior e final, simultaneamente ameaça e conclusão; ele é sentido do interior, como forma contínua e constante da existência.

- Michel Foucault,
História da Loucura

domingo, 29 de julho de 2012

Caminho Resvaloso


Todo caminho da gente é resvaloso. Mas também, cair não prejudica demais. A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!... O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa..., Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, E ainda mais alegre no meio da tristeza... 

- João Guimarães Rosa,
Grande Sertão Veredas

sábado, 28 de julho de 2012

Tykhé

"Nunca se sabe antecipadamente como alguém vai aprender, por quais amores se torna bom em latim, por quais encontros se é filósofo, em quais dicionários se aprende a pensar."

- Gilles Deleuze

terça-feira, 24 de julho de 2012

Palavra e Ato

O poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não vazias e os atos não são brutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas revelar realidades, e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar novas realidades.

Hannah Arendt,
A Condição Humana

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pedagogia da Autonomia

A liberdade que não faz uma coisa porque teme o castigo não está 'eticizando-se'. É preciso que eu aceite a necessidade ética, aí o limite é compromisso e não mais imposição, é assunção. O castigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudam o mundo. 

- Paulo Freire, 
Pedagogia dos Sonhos Possíveis

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A Miséria da Criatura


Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas. É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos. Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar ativamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação. Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. 

- Eric Voegelin

Alienação Consumista


Jacques Resch

Não compramos objetos para possuí-los e sim para destruí-los. A cada nova compra já estamos pensando na próxima. A efemeridade da moda acaba funcionando como antídoto para curar a ansiedade e saciar em pequenas porções a sede de emoções. A cada semana, uma nova coleção na vitrine, a cada dia um novo capítulo na novela das oito, a cada seis meses a nova versão do carro do ano, um novo restaurante imperdível é inaugurado. Somos todos, então, fantoches no “teatro” do consumo. O que quer dizer que os sujeitos não têm mais a preocupação, ao consumir, em buscarem objetos duráveis e que permitam a eles identificarem-se em um conjunto homogêneo de outros sujeitos, como o era na época da estética da estabilidade pregada pelo fordismo, mas, diferentemente disso, o que desperta a atenção dos consumidores são objetos fugazes e que permitam que os mesmos se distingam em um determinado meio social.

Jean Baudrillard,
Sociedade de Consumo

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Sociedade é um Crime Perfeito


Domingo, 15 de julho de 2012.


Eu estava num ônibus com destino à São Paulo, SP. O ônibus fez uma parada na cidade de Governador Valadares, MG, para trocar de motorista. Desci do ônibus e fui ao banheiro, quando voltei fui abordado por um homem de aparentemente 35 anos, mal vestido e com odor que denunciava, não somente o tempo em que ele estava sem banho, mas o crime perfeito de uma sociedade saturada. Ouvi-o pedir 25 centavos, porém o preconceito por estranhos mal vestidos travestido em medo, me obrigou a ignorá-lo e antes de entrar no ônibus olhei para trás e visualizei novamente aquele homem. Um olhar penetrante que pedia socorro, um olhar inocente e ao mesmo tempo culpado. Um olhar que denunciava silenciosamente o meu crime. Não sei o seu nome, a sua história, de onde vinha e pra onde iria. Não sei se tem ao menos uma família. Não sei onde está. E nem sei sequer se está vivo ou morto. Não sei se é mais um destes expulsos dos grandes centros pela policia ou política de "limpeza urbana" com uma passagem na mão para uma terra distante. Ou se é um destes expulsos de casa pelas próprias famílias.

O crime perfeito de uma sociedade saturada que inflige a culpa e o castigo da exclusão sobre todos aqueles que não se enquadram. Lhes negam emprego, negam trabalho, negam uma moradia, negam o pão de cada dia. Não lhes é permitido ficar em lugar nenhum lugar, porque o lugar não somente não os pertence, como pertence legalmente a alguém. São obrigados a ficar vagando de um lugar para o outro. Ao lhes negar emprego ou trabalho implicitamente também lhes negam o status de cidadão, lhes negam dignidade e até mesmo direito de possuir uma alma, se for realmente verdade que o trabalho dignifica a alma. Lhes negam até o direito de existir. Talvez se lhes dessem a oportunidade, mudariam até de planeta, desde que pudessem ter uma alma, dignidade e um trabalho.


Sentimos compaixão por eles não porque somos bons, mas porque sentimo-nos culpados diante deles. Nenhum crime de guerra, holocausto ou genocídio se compara com o nosso crime diário. Em todos os lugares do mundo, não poupamos homens, mulheres ou crianças de nenhuma nacionalidade, de nenhuma etnia, de nenhuma religião. Chegamos ao absurdo fato de que para existir precisamos possuir. Possuir casas, carros apartamentos, dinheiro. Precisamos comprar, gastar, consumir, esbanjar. Desde então consumimos o tempo todo como se houvesse um buraco negro insaciável dentro de cada um nós e o objetivo final da existência fosse apenas este. O absurdo fato de que as relações humanas não são mais mediadas pela solidariedade, pela cooperação e sobrevivência conjunta, mas mediadas pelo capital, pelo consumo e por objetos mágicos de consumo que adquirem vida e se tornam a razão da existência humana.

A sociedade é um mito. Ao contrário do progresso imaginado no tempo das Luzes, nos degeneramos, regredimos e nos tornamos a cultura mais estranha, irracional e também, ao contrário de qualquer outra cultura selvagem, a menos espirituosa. Não temos nenhum deus senão o próprio capital. Mas para nos salvar é preciso que sacrifiquemos todas essas almas ao grande deus metamorfoseado em animais estampados em mágicos pedaços de papéis.

- Alan Teixeira


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