"A literatura tem essa magia de nos tornar contemporâneos de quem quisermos." (Inês Pedrosa)

terça-feira, 4 de maio de 2010

A "má consciência"

Pedro Américo "Hamlet"
Aquele mundo interior originariamente fino, estendido entre duas peles, desenvolveu-se e ampliou-se à medida que a exteriorirização do homem encontrava obstáculos. As formidáveis barreiras que a organização social construia para se defender contra os antigos instintos de liberdade, e, em primeiro lugar, a barreira do castigo, conseguiram que todos os instintos do homem selvagem, livre e vagabundo, se voltassem contra o homem interior. (...) 

Então veio ao mundo a maior e mais perigosa de todas as doenças, o homem doente de si mesmo; foi consequência de um divórcio violento com o passado animal, de um salto para novas situações, para novas condições de existência, de uma declaração de guerra contra os antigos instintos que antes constituiam a sua força de vontade e o seu temível caráter. (...)

E na verdade faltavam espectadores divinos para saborear o drama, que então começou, e cujo fim não pode ainda prever-se, drama demasiado delicado, demasiado maravilhoso e antinômico para que careça de significação no planeta. Desde então o homem veio a ser um dos golpes mais felizes inesperados e excitantes da "criança grande" de Heráclito, que tem por nome Zeus ou Amor, e despertarem seu favor interesse, ansiosa expectação, esperanças e quase certezas, como se anunciasse e se preparasse alguma coisa, como se o homem não fosse um fim, mas apenas um caminho e uma ponte, um incidente, uma translação e uma promessa...

(Friedrich Nietzsche - A Genealogia da Moral)

5 comentários:

Luciene Felix disse...

Show Alan!

Amo Nietzsche, que ama Heráclito, que ama a Zeus, a "criança brincando".

Tá lindo teu Blog meu amigo!
Mil beijos,

lu.

Alan Silva disse...

Obrigado Lu, é sempre um prazer ter sua visita neste singelo espaço.

Beijos

Luciene Felix disse...

Eu que agradeço poder apreciar seu Blog! Bjs., lu.

Richard Mathenhauer disse...

Confesso: Nietzsche me seduz, mas a sedução não implica compreender menos ainda, entender o sedutor. Todavia, ele é meu filósofo favorito com seu martelar constante...

Abraços,

Alan Silva disse...

Lu, não há o que agradecer, pois também me permite apreciar o seu incrível blog.


Richard

Nietzsche é um sedutor, meu filósofo favorito também.

Abraço

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